“Pacote do Veneno” é aprovado na Câmara dos Deputados
Greenpeace activists went to the National Congress in Brasília to express the voice of two million Brazilians who have already said: NO MORE PESTICIDES! Despite the proven harm to public health and the environment, The congresspeople want to approve the Poison Package, which would mean a huge setback for Brazilian health, making it possible to release even more poison in the country. Brazil is already one of the world leaders in the consumption of pesticides. Brazilians don't want more poison contaminating their food and nature. Ativistas do Greenpeace foram até o Congresso Nacional manifestar a voz de dois milhões de brasileiros que já disseram: CHEGA DE AGROTÓXICOS! Apesar dos danos comprovados à saúde pública e ao meio ambiente. Deputados querem aprovar o Pacote do Veneno, significa um enorme retrocesso a saúde brasileira, possibilitando liberar ainda mais veneno no país. O Brasil já é um dos líderes mundiais no consumo de agrotóxicos. Não queremos mais veneno contaminando nossa comida e a natureza!

“Pacote do Veneno” é aprovado na Câmara dos Deputados

Com a premissa de beneficiar o agronegócio, o projeto segue para a Senado Federal para apreciação final

Mais uma vez o Congresso Brasileiro demonstra a todo país suas prioridades e por que a população brasileira não é uma delas. Sem diálogo com a mobilização da sociedade, hoje o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o PL 6299/2002, conhecido como “Pacote do Veneno”. Mesmo após anos de discussão e da mensagem clara da população de que não quer mais veneno em sua comida, com 301 a favor e apenas 150 contra, o Congresso passou uma medida que irá beneficiar o agronegócio ao mesmo tempo que, para isso, rifa a saúde do povo brasileiro.

“A aprovação do ‘PL do Veneno’ é escandalosa e joga um pouco da proteção que tínhamos no lixo. Hoje assistimos a mais um ataque contra a sociedade, mais veneno da Câmara dos Deputados, direto para sua mesa!”, diz Marina Lacôrte, porta-voz de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil.

E complementa: “A maioria dos deputados votou por um modelo de produção de commodities que usa cada vez mais agrotóxicos e causa profundos impactos de saúde e ambientais. Estamos em meio a uma crise sanitária sem precedentes e o Congresso Nacional demonstra profundo descaso com a população e sua saúde. A insistência em beneficiar os lucros e interesses do agronegócio segue arrasando com o país e gerando como resultado adoecimento, desmatamento, violência e morte. Se a urgência do Congresso é facilitar ainda mais o uso de veneno no país, a de muitos brasileiros têm sido sobreviver em um cenário de pandemia e retorno da fome. E, nesse caso, a vida sempre será mais importante. Essa deveria ser a prioridade também dos parlamentares, mas o que vemos é uma total falta de responsabilidade com a sociedade e a natureza.”

Agora o ‘PL do Veneno’ se junta aos PLs da Grilagem e do (fim do) Licenciamento no Senado Federal. E estará nas mãos do presidente Rodrigo Pacheco(PSD-MG), barrar mais esse retrocesso aprovado pela Câmara dos Deputados presidida por Arthur Lira, onde os interesses e a saúde da sociedade vêm depois de seus próprios interesses.

Principais pontos críticos do Pacote do Veneno


A aprovação do “Pacote do Veneno” transfere todo o poder de decisão de aprovação de um novo agrotóxico para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tornando praticamente consultivas partes fundamentais do processo de avaliação e aprovação, como Ministério do Meio Ambiente e Anvisa – órgãos responsáveis pela salvaguarda da saúde da população e integridade do meio ambiente.


A medida garante o registro de substâncias comprovadamente cancerígenas. Atualmente, ingredientes ativos que causam graves danos à saúde (teratogênicos, carcinogênicos, mutagênicos) são totalmente proibidos caso já tenha alguma evidência ou a partir do momento que demonstrem em novos estudos tais propriedades tidas como proibitivas. Além disso, o PL irá conferir registro temporário sem avaliação para pesticidas que não forem analisados no prazo estabelecido pela nova Lei.


O termo “agrotóxico” será substituído por “pesticidas”, numa tentativa de mascarar a nocividade dessas substâncias – se valendo ainda de um fato da realidade brasileira que é a baixa escolaridade no campo. Na prática, independente do termo, pesticida vai continuar sendo veneno e oferecendo riscos à saúde humana.


Desde o começo do mandato de Bolsonaro, o governo vem liberando um número recorde de agrotóxicos, boa parte deles sendo altamente ou extremamente tóxicos e não permitidos na União Europeia. Somente em 2021, foram 550 agrotóxicos aprovados.