Dermatite atópica em cães

Dermatite atópica em cães

Muita gente não sabe, mas não são apenas as doenças respiratórias que se complicam nos cães durante a temporada de frio, as doenças de pele também podem se agravar por conta do clima e de alguns procedimentos, como o banho mais quente. Veterinário esclarece os principais pontos dessa doença, que atinge até 15% dos cães. Confira!

A dermatite atópica é uma doença alérgica crônica, que não tem cura, acometendo 15% dos cães. A doença ocorre a partir dos agentes alérgenos presentes naturalmente nos ambientes e que estimulam o surgimento dos sintomas nos animais predispostos à doença, sendo o prurido o principal deles. Com isso, a qualidade de vida do animal fica comprometida se não for tratado.

:: SINTOMAS

A coceira excessiva é o principal sintoma da doença e ela pode ser tão intensa a ponto de o animal se auto traumatizar, causando a vermelhidão e descamação da pele. Segundo Ricardo Cabral, veterinário da Virbac, laboratório veterinário referência em dermatites, o sintoma é uma situação de aflição para toda a família, que sofre junto com o pet quando não consegue ajudá-lo. “Com o tratamento realizado corretamente, a coceira e a inflamação tendem a ficar controladas. Mas determinadas situações, como expor o animal a algum fator alérgeno, como ácaros de poeira ou pulgas, podem fazer com que esse sintoma se agrave novamente.”

Perda de pelo, lambidas e mordidas frequentes no local afetado, pele seca e escamosa são outras manifestações que a doença desperta no cão. No tempo frio, os sintomas tendem a ficar mais evidentes por conta do clima que naturalmente deixa a pele do animal mais seca, e o aspecto ressecado facilita a penetração de alérgenos, dando início aos sintomas.

:: DIAGNÓSTICO

Para chegar ao diagnóstico é preciso primeiro eliminar as outras possibilidades de doenças que também causam coceira, como sarnas, infecções de pele e outras alergias, como à picada de pulga ou alimentar. “Para isso, é sempre necessária a avaliação de um médico veterinário, que irá proceder com os exames e condutas necessárias para chegar ao diagnóstico correto. É fundamental nessa fase um comprometimento total dos tutores do animal, pois o caminho do diagnóstico pode ser longo e dificultoso”, enfatiza Ricardo. Uma vez diagnosticado no cão a dermatite crônica, os tutores precisam estar cientes de que se trata de uma condição para a vida toda e que o tratamento se tornará uma rotina, sendo fundamental o comprometimento.

:: TRATAMENTO

O objetivo do tratamento é baseado no controle dos sintomas, já que a doença é considerada crônica. Neste caso, estar atendo é essencial, pois diferentes agentes alérgenos podem ser gatilhos para uma retomada de sintomas. Uma parte importante do tratamento consiste em oferecer elementos que ajudem na reconstituição da função de barreira da pele, como shampoos hidratantes e óleos essenciais. Mas Ricardo ressalta que é muito importante também o uso de medicamentos que diminuam a ação do sistema imune, geralmente hiper-responsivo nesses casos. Para isso, os corticoides são bastante utilizados, mas apesar de se mostrarem eficazes no alívio do prurido, causam fortes efeitos colaterais e doenças metabólicas a longo prazo.

“Como alternativa aos corticoides, recentemente a Virbac trouxe para o Brasil um tratamento amplamente utilizado na Europa, o Cyclavance. Trata-se do único medicamento veterinário do mercado à base de ciclosporina, considerado um princípio ativo de alta eficácia no tratamento da dermatite atópica canina,” explica. A substância tem sua eficácia recomendada pelo Comitê Internacional de Doenças Alérgicas dos Animais (ICADA). Apesar de também demandar um tratamento contínuo, ela permite melhora do prurido (coceira) e da inflamação em poucos dias. “Em 3 a 4 semanas, a aparência da pele e lesões também já melhoram, sendo possível, após esse controle inicial, uma redução na frequência de administração do medicamento, conforme a resposta de cada paciente”, complementa o veterinário.

:: AGRAVANTES DA DOENÇA

Ricardo comenta que poucas pessoas sabem, mas no frio, a pele dos animais costuma ficar mais seca, e o banho costuma ficar mais quente, uma combinação perigosa que leva à desidratação cutânea. “A pele quando desidratada fica mais sujeita à penetração de alérgenos e coça mais. Controlar a temperatura da água e do secador é muito importante, além de ser fundamental escolher corretamente os produtos para o banho como shampoos, condicionadores, pipetas de óleos essenciais e sprays que ajudam na hidratação, ao auxiliar a reconstruir a função de barreira da pele”, finaliza o especialista.