Segundo especialista, noites mal dormidas interferem no organismo
e podem ser uma das causas de hipertensão

No próximo dia 17 de maio é celebrado o Dia Mundial da Hipertensão. A data visa conscientizar a população sobre o assunto e ressaltar a importância do diagnóstico e tratamento da doença. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 30% da população adulta em todo o mundo, ou seja, mais de um bilhão de pessoas.


A hipertensão arterial está relacionada ao aumento anormal da pressão que o sangue faz ao circular pelas artérias do corpo. Ocorre quando a medida da pressão se mantém acima de 140×90 milímetro de mercúrio (mmHg), se tornando um importante fator de risco para o surgimento de doenças cardiovasculares.

Algumas condições podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como obesidade, sedentarismo, estresse, tabagismo e quantidades excessivas de álcool ou sódio (sal) na dieta. Além disso, noites mal dormidas podem interferir na pressão arterial. Dormir menos de cinco horas por noite, por exemplo, pode aumentar em cinco vezes o risco de hipertensão.


Relação com o sono
Durante o sono, o corpo passa por um período de repouso e de restauração e durante as fases mais profundas são produzidos hormônios que controlam a circulação. Quando se tem uma noite de sono ruim, o nível dessa produção e o fluxo de sangue é afetado. Desta forma, o corpo não “desliga” e o coração e cérebro não descansam, mantendo a frequência cardíaca e a pressão arterial elevadas.

Segundo a psicóloga e especialista do sono, Laura Castro, sócia-fundadora da Vigilantes do Sono, primeiro programa digital de terapia cognitiva-comportamental para insônia (TCC-I), é primordial que o tratamento de distúrbios do sono receba a devida importância para prevenir quadros de hipertensão e outras doenças. “Nosso corpo exige um período de descanso necessário para o bom funcionamento. É extremamente importante que respeitemos nossa necessidade de descanso, que é individual e pode variar de pessoa para pessoa, mas, essencialmente, não há descanso adequado sem boas noites de sono”, ressalta.

De acordo com a especialista, é possível adotar alguns hábitos para melhorar as noites de sono e evitar eventuais distúrbios e suas consequências. “Respeitar o horário de dormir é fundamental, o que envolve um ritual de preparo para o sono, pois o corpo leva algum tempo para começar a se “desligar”. Por isso, é importante evitar telas antes de repousar, ter cuidado com a ingestão de substâncias cafeinadas (chocolate, café, chás, refrigerantes, etc), que excitam o cérebro , tanto quanto outros estimulantes, como o cigarro ou outras drogas, além da prática de exercícios físicos à noite, que pode interferir com a temperatura corporal e também atrasar o sono. Também é recomendável não ficar muito tempo na cama, principalmente tentando dormir sem conseguir, pois trata-se de treinar o corpo para que associe a cama a um lugar de repouso e conforto, e não de luta contra a falta de sono”, destaca.

Quanto às consequências de noites mal dormidas, Laura ressalta que podem ser graves para o funcionamento mental e físico no restante do dia e, justamente por esse motivo, quando há um problema ou dificuldade com o sono, devem ser tratados antes de se tornarem recorrentes ou crônicos. “A ausência do repouso ou de um sono que seja restaurador pode nos afetar muitas vezes de forma silenciosa e a hipertensão é um bom exemplo desse tipo de efeito, que é de médio e longo prazo. Somente quando surgem as crises de pressão alta que começa a conscientização para a importância do descanso e do sono, e é quando comumente vem o reconhecimento de algum distúrbio do sono de base que não havia sido diagnosticado. É o que frequentemente observamos no caso dos distúrbios respiratórios, como o ronco e a apneia”, afirma a psicóloga.

“Há os efeitos de médio e longo prazo, como a hipertensão, mas também no dia seguinte de uma noite mal dormida o corpo pode sentir muito a falta de descanso. Além da sensação de fadiga e sonolência, a redução ou fragmentação do sono acaba afetando o humor e a concentração, aumentando a reatividade ao estresse e provocando outras consequências que podem tornar o problema ainda mais grave, como no caso dos acidentes de trânsito ou de trabalho”, conclui.